Resenha: Dias Perfeitos
- Renata Costa

- 27 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Queridos leitores,
Há livros que entretêm. Outros provocam. Dias Perfeitos escolhe um caminho mais cruel. Ele invade.
Não foi uma leitura confortável. E talvez esse seja exatamente o objetivo.

Raphael Montes constrói uma narrativa que não dá espaço para respiro. Desde as primeiras páginas, existe algo errado ali. Não é algo escancarado, mas constante. Uma sensação de alerta que não passa, como se o livro estivesse sempre um passo à frente de quem lê.
Não é uma história baseada em grandes reviravoltas ou choques gratuitos. O que sustenta a leitura é o desconforto contínuo, a manipulação psicológica e essa normalidade distorcida que vai se impondo aos poucos. A história avança criando uma intimidade perigosa com a mente do personagem principal, e isso incomoda de um jeito difícil de explicar.
A leitura me deixou inquieta. Em vários momentos precisei parar, não por tédio, mas por incômodo mesmo. É aquele tipo de livro que faz você se perguntar até onde está disposta a ir como leitora.
Não gostei da experiência. E isso não quer dizer que o livro seja ruim. Pelo contrário. Ele faz exatamente o que se propõe a fazer. Mexe com a cabeça, causa repulsa e mantém uma tensão psicológica constante.
Não é um livro que busca empatia. Ele busca controle. E consegue.
Indico para quem gosta de suspense psicológico intenso, histórias que exploram obsessão, relações doentias e leituras que deixam marcas. Não marcas agradáveis, mas marcas reais.
Para mim, foi desconfortável do começo ao fim. Uma leitura que não pretendo repetir, mas que também não consigo simplesmente ignorar.
Alguns livros não querem ser amados. Querem ser lembrados. E esse, gostando ou não, será lembrado
Com carinho,
Renata Costa



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